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MESAS REDONDAS
A LINGUAGEM COMO OBJETO DE
INVESTIGAÇÃO NO ENSINO DE CIÊNCIAS
Silvania Sousa Nascimento (UFMG) - Coordenadora
Eduardo Fleury Mortirmer (UFMG)
Isabel Martins (NUTES/RJ)
Maria José P. M. de Almeida (Unicamp)
A LINGUAGEM COMO OBJETO DE
INVESTIGAÇÃO NO ENSINO DE CIÊNCIAS
Silvania Sousa do Nascimento (UFMG) silsousa@fae.ufmg.br
As pesquisas em ensino de
ciências, nas últimas décadas vêm destacando as linguagens
presentes no processo de elaboração de conceitos científicos. Esta
mesa discutiu três pontos de vista e resultados de pesquisa sobre a
linguagem e o ensino de ciências que emergem do pressuposto da
diferenciação entre processos interpsicológicos e
intrapsicológicos. A linguagem e o discurso se encontram, em uma
perspectiva metodológica compondo o sistema concebido pelo homem para
registrar, comunicar e gerar conhecimento científico e o lugar de
investimentos sociais, históricos e ideológicos por meio do qual os
sujeitos interagem em situações concretas de produção e de
recepção. Os discursos são ditos, lidos e ouvidos sob a forma de
manifestações verbais de sujeitos multiculturais. Investigar a
linguagem traz, portanto, desafios metodológicos singulares que foram
abordados sob os aspectos das ideologias dos interlocutores pela
Profª. Drª. Maria José P.M. de Almeida e sob os aspectos da
heterogeneidade discursiva e do hibridismo semiótico da linguagem
presente em livros didáticos de ciências pela Profª. Drª Isabel
Martins. Enfim os desafios da proposição de estruturas analíticas
capazes de analisar a linguagem em sua dinâmica de sala de aula foi
discutida pelo Prof. Dr. Eduardo Mortimer.
CARACTERIZANDO O GÊNERO DE
DISCURSO DA SALA DE AULA DE CIÊNCIAS
Eduardo Fleury Mortimer (UFMG) mortimer@dedalus.lcc.ufmg.br
Neste trabalho apresentamos alguns
aspectos da metodologia de análise que estamos desenvolvendo para
caracterizar o gênero de discurso da sala de aula de ciências. Nessa
metodologia, algumas ferramentas analíticas pré-existentes (Mortimer
e Scott, 2002 e 2003; Buty, Tiberghien and Le Maréchal, 2004) foram
adaptadas e expandidas de modo a possibilitar a criação de um
sistema de categorização dos dados em vídeo em tempo real,
utilizando um software desenvolvido pelo IPN-Kiel, Videograph®. Essa
metodologia permite que o trabalho de categorização seja feito
diretamente sobre a imagem em vídeo das aulas, o que possibilita uma
análise do discurso com "D" maiúsculo (Gee, 1996), pois
leva em consideração um conjunto de modos de comunicação
empregados nos processo de significação e não apenas a linguagem
verbal. Ilustramos a utilização da metodologia para caracterizar o
gênero de discurso de duas salas de aula diferentes, por meio da
explicitação das diferentes estratégias enunciativas utilizadas por
dois professores franceses de física do ensino médio no
desenvolvimento de um mesmo conteúdo: introdução ao conceito de
força. Segundo Bakhtin (1986/1954), o gênero de discurso não é uma
forma de linguagem, mas uma forma típica de enunciado, que
relaciona-se ao lugar social onde o discurso é produzido. Julgamos
que uma das principais contribuições da metodologia apresentada é
conseguir concretizar alguns conceitos gerais apresentados por
Bakhtin, mostrando como os enunciados adquirem uma estrutura e uma
composição bem peculiares no espaço enunciativo da sala de aula.
TEXTOS, SUJEITOS E DISCURSOS
Isabel Martins (NUTES-UFRJ) isabel@nutes.ufrj.br
Nesta apresentação explorei
possibilidades, limites e desafios de abordagens discursivas para
análises de textos e documentos, por meio da discussão de
investigações recentes sobre a linguagem do livro didático de
ciências, que problematizam aspectos relacionados a sua
heterogeneidade discursiva e seu hibridismo semiótico com referência
a diferentes contextos de produção, circulação e recepção.
ENTREVISTA E REPRESENTAÇÃO
Maria José P. M. de Almeida (Unicamp) mjpma@unicamp.br
Na minha fala nesta mesa, foram
comentadas algumas características do funcionamento de memórias
discursivas reveladas pela análise de discursos obtidos através de
entrevistas que constituíram parte da investigação: "A Área
de Ensino de Ciências no Brasil". Para tal, assumi a não
transparência da linguagem e os papéis da ideologia e das
condições de produção na formulação discursiva, para em seguida
apontar possibilidades e limites da entrevista como técnica de
obtenção de informações na pesquisa em questão.
A PESQUISA SOBRE FORMAÇÃO DE
PROFESSORES DE CIÊNCIAS E O ENSINO DE SALA DE AULA
Eduardo Adolfo Terrazzan (UFSM) - Coordenador
Anna Maria Pessoa de Carvalho (FEUSP)
Arnaldo Moura Vaz (UFMG) Otávio Aloísio Maldaner (Unijuí)
INOVAÇÃO ESCOLAR E A PESQUISA
SOBRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Eduardo A. Terrazzan (UFSM) eduterra@ced.ufsm.br
A inovação escolar não se
constitui num assunto propriamente novo, mas ainda tem pouca presença
como tema de pesquisa no campo educacional. Por outro lado, nas
últimas décadas temos percebido uma clara sinalização de que as
mudanças nas escolas e nas salas de aula dependem de certas
condições gerais da organização escolar e, ao mesmo tempo, de
características próprias dos professores. Generalizou-se também a
atribuição de insucesso nas pretendidas mudanças nas escolas a
aspectos relacionados à formação de professores. No entanto, exames
mais cuidadosos têm revelado que as questões aqui envolvidas são
mais complexas. Nesse sentido, trouxemos ao debate alguns aportes
teóricos e metodológicos dos estudos sobre relações entre
inovação escolar e formação de professores, os quais poderam
contribuir para parametrizar estratégias que possibilitem não só a
implementação de mudanças, mas sobretudo a sua consolidação nas
instituições escolares.
A PESQUISA EM SALA DE AULA E A
FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Anna Maria Pessoa de Carvalho (FEUSP) ampdcarv@usp.br
Os professores, com muita razão se
sentem inseguros para adotarem em suas salas de aula as inovações
recebidas nos cursos de formação continuada a eles oferecidos. Uma
das principais causas para essa não adoção é não terem
conhecimentos sobre quais as modificações que essas inovações
introduzirão em suas classes. O que propomos é trazer aos cursos de
formação continuada resultados de pesquisas e dados empíricos
retirados de sala de aula mostrando aspectos relevantes dos processos
de ensino e aprendizagem quando as inovações propostas são
aplicadas.
INOVAÇÃO, TRADIÇÃO E
DIVERSIDADE
Arnaldo M. Vaz (Coltec/UFMG) arnaldo@coltec.ufmg.br
Foi apresentada à crítica dos
presentes uma avaliação da pesquisa sobre professores e de suas
perspectivas. Trabalho com professores e colaboradores inspirado na
teoria de Paulo Freire. São parcerias pautadas pela valorização
crítica da diversidade, porém de diversidade de interesses e
abordagens entre pessoas que têm ideais e fidelidades comuns. Esses
grupos de professores e pesquisadores pensando nas questões de
ensino, com atenção crítica às demandas de lado a lado e atacando
muitos problemas de uma vez, vêm mesclando inovação com tradição
escolar, obtendo alguns resultados promissores. Minha contribuição
se pautou pela pesquisa que conduzo sobre essa dinâmica e pela
análise da literatura, em especial pela avaliação de Terezinha Rios
de que três demandas colocam-se ao pesquisador e formador de
professores: superar a fragmentação, a massificação e o embate
entre a razão instrumental e irracionalismo.
SITUAÇÕES DE ESTUDO NO ENSINO
MÉDIO: NOVA COMPREENSÃO DE EDUCAÇÃO BÁSICA
Otávio Aloísio Maldaner (Unijuí) maldaner@unijui.tche.br
Mesmo após quase dez anos de
vigência da nova LDBEN/1996, continua grande o desafio para que os
educadores brasileiros superem a visão propedêutica de educação,
cuja maior preocupação é a preparação dos estudantes para um novo
grau de ensino ou atividade profissional específica, e passem a
compreender a educação básica obrigatória para todos. O desafio é
maior no Ensino Médio que tem sido visto como preparatório para os
exames vestibulares. Com isso, pouco se avançou na compreensão do
papel das disciplinas escolares na formação do pensamento abstrato
dos adolescentes e jovens e a importância que tal pensamento tem para
eles em um mundo de grande complexidade. Em parceria com escolas, o
Gipec-Unijuí vem desenvolvendo pesquisas que mostram que os
professores de escola estão sensíveis a mudanças no desenvolvimento
de novos currículos na Área das Ciências da Natureza e suas
Tecnologias, contemplando características defendidas na Pesquisa
Educacional e em Documentos Oficiais.
HISTÓRIA E FILOSOFIA DA
CIÊNCIA NA PESQUISA EM ENSINO DE CIENCIAS
Irinéa de Lourdes Batista (UEL) - Coordenadora
Alexandre Farias de Medeiros (Scienco/PE)
Charbel Niño El-Hani (UFBA)
Luiz Orlando Quadros Peduzzi (UFSC)
PESQUISAS SOBRE A ABORDAGEM
HISTÓRICO-FILOSÓFICA NO ENSINO E NA APRENDIZAGEM DE CIÊNCIAS
Irinéa de Lourdes Batista (UEL) irinea@uel.br
A contribuição da História e
Filosofia da Ciência para o Ensino de Ciências tem sido tema de
várias pesquisas preocupadas com a conexão dessas três áreas,
particularmente com a explicitação da relação história-filosofia.
Nosso trabalho se insere no contexto do desenvolvimento de
referenciais teóricos que auxiliem na criação de instrumentos de
aperfeiçoamento de uma capacidade analítica para a implementação
de uma aprendizagem de conceitos, explicações e teorias científicas
de forma estruturada, articulada e integrada. Esse processo envolve a
identificação e caracterização de modelos científicos por uma
reconstrução histórico-filosófica que pressupõe a superação
dessa modelagem para a obtenção de uma teoria abrangente.
A HISTÓRIA DA CIÊNCIA E O
ENSINO DA FÍSICA MODERNA
Alexandre Farias de Medeiros (Scienco/PE) med@hotlink.com.br
A importância da história da
ciência no ensino das ciências tem sido destacada em vários artigos
nos últimos anos. As razões para uma tal aplicação pedagógica da
história têm variado desde o seu caráter simplesmente motivacional,
passando pelos aspectos cognitivos de um aludido paralelismo entre a
filogênese e ontogênese das idéias científicas, até a
importância de colocar em destaque a própria natureza da ciência.
Muitos trabalhos têm explorado os desenvolvimentos históricos de
conceitos e teorias. Um profundo desencontro, entretanto, tem existido
entre tais preocupações pedagógicas e as mensagens contidas em
muitos livros didáticos de Física. Um tal desencontro tem se
acentuado ainda mais nos últimos tempos nos discursos de alguns
livros mais recentes destinados ao ensino da Física Moderna no nível
médio. O presente trabalho lança uma breve reflexão sobre algumas
formas como tais desencontros têm se apresentado e aponta a direção
da necessidade de um maior cuidado com a pesquisa da questão
histórico-conceitual como um elemento essencial na construção de
novas propostas conseqüentes de ensino da Física.
NOTAS SOBRE O ENSINO DE
HISTÓRIA E FILOSOFIA DA BIOLOGIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR
Charbel Niño El-Hani (UFBA) charbel@ufba.br
A defesa da importância da
história e filosofia das ciências (HFC) na educação científica
desaguou nas abordagens contextuais do Ensino de Ciências, nas quais
se propõe que a aprendizagem das ciências deve ser acompanhada por
uma aprendizagem sobre as ciências. Estas propostas influenciaram
muitos documentos de reforma educacional produzidos nas últimas
décadas, colocando diante de nós o desafio de ensinar sobre HFC no
Ensino de Ciências e na formação de professores. Nesta
comunicação trabalhei duas propostas de ensino de HFC para alunos de
Biologia do Ensino Superior que venho testando. Pretendo, assim,
contribuir para a discussão sobre como ensinar sobre HFC, com ênfase
sobre as ciências biológicas. A primeira proposta utiliza
exposições dialogadas e discussões em sala de aula, partindo de
estudos de casos históricos concretos para colocação e tratamento
de questões epistemológicas. A segunda emprega metodologia de
projetos para engajamento dos alunos em investigações nas áreas de
história, filosofia e ensino de biologia.
DO ÁTOMO GREGO AO ÁTOMO DE
BOHR: RECEPTIVIDADE INICIAL E PERSPECTIVAS DE PESQUISA DE UM TEXTO
VOLTADO PARA UMA DISCIPLINA DE EVOLUÇÃO DOS CONCEITOS DA FÍSICA
Luiz O. Q. Peduzzi peduzzi@fsc.ufsc.br
A disciplina Evolução dos
Conceitos da Física, do curso de Física da Universidade Federal de
Santa Catarina, tem como objetivo analisar histórica e
epistemologicamente os desenvolvimentos conceituais das teorias
físicas, desde os gregos até o presente. Como em geral as
disciplinas regulares do currículo não contemplam a discussão de
aspectos históricos dos conteúdos abordados, essa disciplina,
cursada por alunos da licenciatura e do bacharelado, representa uma
rara oportunidade do estudante travar contato com a história da sua
ciência. À luz da moderna filosofia da ciência, ela pode contribuir
significativamente para uma maior reflexão do aluno sobre a natureza
e a construção do conhecimento científico. O texto 'Do átomo grego
ao átomo de Bohr', implementado em sala de aula durante o segundo
semestre letivo de 2005, atua nesta perspectiva, estruturando
conteúdos divididos em cinco capítulos: Do átomo grego ao átomo de
Dalton: um percurso através da história da física e da química;
Sobre o atomismo do século dezenove; A espectroscopia, o elétron, os
raios X e a radioatividade: prelúdio a uma nova física; O quantum de
radiação; O átomo de Bohr.
TRÊS DÉCADAS DE PESQUISA EM
ENSINO DE CIÊNCIAS NO BRASIL
Roberto Nardi (Unesp) - Coordenador
Demétrio Delizoicov (UFSC)
Jorge Megid Neto (Unicamp)
Marcia Serra Ferreira (UFRJ)
A ÁREA DE ENSINO DE CIÊNCIAS
NO BRASIL: FATORES QUE DETERMINARAM SUA CONSTITUIÇÃO E SUAS
CARACTERÍSTICAS, SEGUNDO PESQUISADORES BRASILEIROS
Roberto Nardi (Unesp) nardi@fc.unesp.br
Levantamento realizado a partir de
documentos produzidos por pesquisadores nas últimas décadas sugeriu
que os grupos de pesquisa na área têm trabalhado numa pluralidade de
temáticas, enfoques e referenciais teórico-metodológicos,
explicitando, de diferentes maneiras, convergências e divergências.
Visando avançar na compreensão dessas distinções, entrevistamos
pesquisadores selecionados entre aqueles que, segundo seus pares,
contribuíram para a origem da área. As questões norteadoras para
essa busca foram as seguintes: A que se deve a pesquisa em ensino de
Ciências no Brasil? Quais são suas características? Efeitos de
sentidos presentes nas falas dos entrevistados confirmam os indícios
contidos em documentos já produzidos, mostrando uma pluralidade de
posições em relação à formação e às características da área,
as quais refletem as diferentes origens acadêmicas e trajetórias
profissionais dos pesquisadores entrevistados, as posições de onde
falam - institucionais ou geográficas - ou, ainda, sua maior ou menor
proximidade com a pesquisa na área. Essa pluralidade de posições
leva à hipótese de que não existe um único "paradigma"
explícito que defina essa área de pesquisa no país.
BREVE PANORAMA DAS TESES E
DISSERTAÇÕES EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS NO BRASIL: PERÍODO
1972-2004
Jorge Megid Neto (Unicamp) megid@unicamp.br
Desde as primeiras pesquisas na
área em nível de pós-graduação, defendidas em 1972, alcançamos
até 2004 cerca de 1100 teses e dissertações voltadas para a
Educação em Ciências nos diversos níveis de escolaridade. A
produção cresceu significativamente em quantidade; espalharam-se os
centros de produção; diversificaram-se as temáticas e metodologias
de pesquisa. Por outro lado, tem sido recorrente a dificuldade de
acesso às informações básicas sobre essa produção e,
principalmente, ao texto integral das teses e dissertações. Com
isto, estudos avaliativos do conjunto da produção, em especial
quanto à qualidade da produção, ficam comprometidos, bem como
limitadas as possíveis contribuições das pesquisas para o
desenvolvimento da área e a melhoria da educação científica
escolar. Apresentamos algumas tendências da produção por ano,
instituição, orientador, nível escolar, área de conteúdo,
temática e metodologia de pesquisa. Reforçamos também uma proposta
de se criar uma rede eletrônica da produção na área, que inclua a
disponibilização digital do texto completo das pesquisas, primeiro
passo para uma ampla socialização do que se produz em Educação em
Ciências no Brasil.
PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS
COMO CIÊNCIAS HUMANAS APLICADAS
Demétrio Delizoicov (UFSC) demetrio@ced.ufsc.br
Através de aspectos relacionados
à área de ensino de ciências, tais como existência de cursos e
programas de pós-graduação, de periódicos especializados na
publicação de resultados de pesquisas e de eventos científicos
específicos, constata-se que esta constitui um campo social de
produção de conhecimento. A partir de dados contidos em trabalhos
que têm como objeto de análise dissertações e teses em ensino de
ciências defendidas no Brasil, desde 1972, argumenta-se que o campo
se organiza em coletivos de pensamento - afinados com os das ciências
humanas - que investigam problemas relativos à disseminação
sistematizada de conhecimentos científicos, que é caracterizada como
um processo complexo de interação entre três grandes círculos
sócio-culturais. Problematizam-se pontos desta dinâmica de pesquisa
que estabelece comunicações intracoletivos e intercoletivos, sendo
estas últimas constituídas por amplo espectro, cuja variação vai
desde uma sintonia bastante ajustada, até praticamente uma ausência
de ressonância. Considerando-se essa produção plural, propostas
são apresentadas com a finalidade de se efetivar uma maior
aproximação dos problemas investigados pelo campo com aqueles
enfrentados pelo ensino de ciências nas escolas brasileiras.
COMO INVESTIGAR A HISTÓRIA DA
PESQUISA EM ENSINO DE CIÊNCIAS NO BRASIL? REFLEXÕES
TEÓRICO-METODOLÓGICAS
Marcia Serra Ferreira (UFRJ) mserra@predialnet.com.br
A existência de um campo de
pesquisa em ensino de Ciências no país encontra-se diretamente
relacionada à constituição de uma comunidade disciplinar
específica que, desde as primeiras iniciativas inovadoras na área,
vem produzindo objetos e conhecimentos que não se reduzem às suas
diversas ciências de referência. Uma reconstrução
sócio-histórica do referido campo passa por compreender os diversos
embates que vêm sendo travados em torno de quais conhecimentos e
práticas devem ser socialmente reconhecidos como os mais
representativos dessa produção, em detrimento de outros
conhecimentos e práticas que perderam espaço, recursos e território
e foram historicamente excluídos. Para analisar esse processo,
busquei subsídios em autores tanto da História do Currículo e das
Disciplinas Escolares quanto da Historiografia contemporânea.
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