
A Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC) manifesta sua indignação diante do corte de mais de R$ 330 milhões nos orçamentos da CAPES e do CNPq para 2026, manobra orquestrada para inflar verbas de emendas parlamentares em ano eleitoral. É moralmente inaceitável que o Congresso Nacional drene recursos vitais da produção de conhecimento – única via real de soberania e transformação social – para alimentar uma máquina de autopreservação política. Enquanto a ciência opera sob a lógica do rigor, da transparência e do retorno à sociedade, as emendas parlamentares frequentemente navegam na opacidade, servindo a interesses paroquiais e, não raro, protagonizando escândalos de corrupção e desvio de finalidade.
Ao asfixiar a pesquisa para financiar currais eleitorais, o Legislativo sinaliza que, para a classe política vigente, a ignorância é mais lucrativa que o desenvolvimento. Trocar o futuro de gerações de pesquisadores pela manutenção de mandatos é um projeto deliberado de atraso. O Brasil não precisa de mais verbas pulverizadas em obras de conveniência duvidosa; precisa de inteligência, tecnologia e educação. A ABRAPEC exige a recomposição imediata dos orçamentos da ciência, recusando-se a aceitar que o destino do país seja rifado no balcão de negócios do clientelismo partidário.
