MESA REDONDA 8
Educação científica e diversidade
Multiculturalismo na educação científica
Adela Molina (Universidad Distrital – Bogotá)
Resumo
A perspectiva multicultural no ensino das ciências veio-se consolidando cada vez mais e dada a importância do tema para diversas sociedades e países, é necessário analisar com mais detalhe seus pressupostos e soluções. Em particular, são variados os aspectos que interessa examinar: Quais são seus pressupostos ao respeito do multicultural?, Como se comprometem com a diversidade de perspectivas, crenças das sociedades e comunidades?, Quais são os fundamentos epistemológicos das diferentes propostas em debate e como cada uma assume a presença de diferentes sistemas de conhecimento (tradicionais, cientistas, sentido comum) e a incomensurabilidade entre eles?. Pese ao esforço de reconhecer a diferenças culturais de algumas destas perspectivas, nosso grupo de investigação INTERCITEC (Interculturalidade, Ciência e Tecnologia) quis avançar num enfoque intercultural como alternativa para compreender a constituição de comunidades e sujeitos culturalmente diferentes; o anterior, dando mais ênfase aos intercâmbios entre diferentes do que a sua descrição; por tal razão se apresentam alguns resultados de investigação ao respeito.
Currrículos e diversidade étnica, social e cultural
Ana Canen (UFRJ)
Resumo
A comunicação versará sobre o currículo e formas pelas quais se pode concebê-lo, levando em conta a diversidade cultural, étnica, social e cultural. Parte, inicialmente, da concepção de currículo como seleção da cultura ligada a questões de poder que definem padrões culturais que devem ser representados e aqueles que devem ser silenciados. Nesse sentido, aborda o conceito de multiculturalismo, suas perspectivas desde visões mais liberais ou folclóricas até aquelas mais críticas e pós-modernas, discutindo desdobramentos em concepções curriculares valorizadoras da diversidade e desafiadoras de preconceitos e do silenciamento das diferenças. Argumenta que o currículo multicultural deve estar ligado à questão da representação das identidades individuais, coletivas e institucionais, articulando-se ao planejamento, à avaliação e às formas de se conceber a pesquisa e a construção do conhecimento científico. Defende alguns caminhos possíveis para sua concretização, em termos de trabalho com os conteúdos específicos, habilidades multiculturais e discussão de temas em termos das tensões multiculturais que os perpassam. Conclui, apontando pesquisas na área, bem como desafios e possibilidades do pensamento curricular multicultural na formação de professores e no contexto educacional atual.
A educação científica para alunos com deficiências
Éder Pires de Camargo (UNESP)
Resumo
É crescente no Brasil a matrícula de alunos com deficiências na escola regular. Este fato deve-se prioritariamente às orientações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), que em seu Artigo 4º inciso III, recomenda que o atendimento educacional dos alunos com necessidades especiais, seja feito, preferencialmente, na rede regular de ensino. Tal recomendação, se por um lado corrige problemas históricos ligados à segregação social de pessoas, por outro, encontra despreparado grande parte dos docentes, que dificilmente discutem em sua formação acadêmica, temas ligados ao ensino de alunos com deficiências. Em outras palavras, a ocorrência da denominada “inclusão educacional”, somente se dará mediante a presença dos alunos com deficiências no interior da sala de aula regular, bem como, da adequação desse ambiente às necessidades de todos os seus participantes. A partir do exposto e no contexto da educação científica, cabe questionar: como incluir alunos com deficiências em aulas de ciências? Que saberes docentes propiciam uma prática educacional inclusiva? Quais são os principais obstáculos a serem superados? A inclusão pode contribuir para a qualidade do ensino de ciências? Questões como as apresentadas orientarão uma reflexão acerca do tema: educação científica e alunos com deficiências. Também será um referencial orientador, aulas de física que contaram com a presença de 35 alunos videntes e 2 com deficiência visual (cegos). Das aulas mencionadas, serão objetos de reflexão as relações docente/discente com deficiência visual, discente com deficiência visual/conteúdo de física, como também, os modelos místico, biológico e científico de interpretação do fenômeno da deficiência.