MESA REDONDA 3
Ensino de Ciências na Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental
Formação de professores para as séries iniciais do Ensino Fundamental
Anna Maria Pessoa de Carvalho (USP)
Resumo
A formação de professores, para o ensino de Ciências para as séries iniciais do Ensino Fundamental, se depara com diversos problemas, quase que intransponíveis, e que para os quais não temos condições de enfrentamento nos cursos de formação. Destes problemas, os dois principais, que quase invalidam as propostas de formação são: a falta de condições de trabalho que os professores enfrentam em suas escolas que fazem com que eles desanimem de implementar qualquer proposta nova e o baixo salário que fazem com que eles dupliquem, e às vezes tripliquem, suas jornadas lecionando nas séries iniciais durante a manhã e a tarde e para formação de jovens e adultos durante a noite.
Dos problemas que podemos buscar soluções para essa formação estão: a falta de conhecimento específico das professoras na área das ciências e as poucas atividades existentes, dentro de uma proposta de ensino de enculturação científica, cujos planejamentos visem à produção dos conhecimentos conceituais, atitudinais e processuais pelo aluno. Quando conseguimos superar, mesmo que parcialmente, estes problemas verificamos a existência de um outro na etapa seguinte que é a sala de aula. As professoras não estão preparadas para desenvolver esse ensino, por exemplo, para sustentar uma discussão buscando uma argumentação de seus alunos. São os equacionamentos destes problemas que iremos discutir.
Investigar e interrogar o mundo: crianças pequenas em ação
Maria Inês Mafra (UFMG)
Resumo
A exploração do mundo físico e natural pela criança pequena tem sido um assunto muito pouco explorado tanto na prática das instituições de educação infantil, quanto na pesquisa acadêmica. É comum pensar que essas crianças não estariam aptas a investigar fenômenos mais complexos o que justificaria a precária socialilzação desse conhecimento para essa faixa etária. Este trabalho busca compreender de que maneira crianças entre 4 e 6 anos investigam o mundo físico e aprendem participando de atividades coletivas programadas por suas professoras. Apresenta aspectos de uma pesquisa colaborativa realizada com crianças e professoras de escolas públicas infantis de Belo Horizonte e discute a aprendizagem tomando a Abordagem Histórico-cultural como eixo. Essa abordagem nos permite ir além das teorias clássicas e perceber as mudanças no movimento de participação das crianças e professoras. Os resultados obtidos nos ajudaram a desenvolver reflexões tanto do ponto de vista da aprendizagem quanto do ponto de vista do ensino de ciências na educação infantil. Dentro do primeiro aspecto, observamos a aprendizagem enquanto um processo de mudança nas práticas sociais concretas, que também estão em movimento, caracterizado pela expansão das possibilidades de agir dos sujeitos. Dentro do segundo aspecto, criamos ambientes instigadores e, junto com as professoras engajadas na pesquisa, construímos princípios que podem nortear a reflexão sobre o ensino de ciências na educação infantil.
Pela pesquisa um ensino mais científico
Roque Morais (PUC-RS)
Resumo
A apresentação refere-se à utilização da pesquisa nas salas de aula das séries iniciais do Ensino Fundamental como modo de ampliar o caráter científico do trabalho desenvolvido no ensino de ciências neste nível de escolaridade. Partindo da idéia de que o modo básico de trabalhar com ciências é a pesquisa, discute-se o significado que pode assumir o pesquisar nas aulas de ciências do Ensino Fundamental. Assumindo que pesquisar é trabalhar na procura de respostas a perguntas formuladas por alunos e professor, discutem-se modos de encaminhar o trabalho de construção das respostas, com coleta de informações e sua análise, chegando a respostas fundamentadas. Enfatiza-se ainda a comunicação e crítica das respostas produzidas encaminhando sua reescrita e qualificação. Em todo o processo é importante o permanente diálogo entre participantes, seja pela fala, leitura ou escrita, no sentido da tomada de consciência dos processos envolvidos, possibilitando ir além da aprendizagem conceitual, para ocorrer uma apropriação dos processos da ciência e encaminhar-se o desenvolvimento de habilidades cognitivas gerais. Assim, a pesquisa constitui um dos modos de atingir-se tanto a qualidade formal científica do trabalho de sala de aula, quanto a qualidade política transformadora que processos de educação devem almejar.