MESA REDONDA 1

Paradigmas que orientam a pesquisa em educação em ciências

O “estado da arte” da pesquisa em educação em ciências
Demétrio Delizoicov (UFSC)

Resumo
Estudos que têm como finalidade analisar resultados de pesquisa em educação em ciências (EC) a partir de fontes escritas parecem estar constituindo uma tendência crescente. Dentre outros motivos, estudos desse tipo, algumas vezes denominados de estado da arte, contribuem para caracterizar  aspectos relativos à  dinâmica evolutiva e contextual de um particular campo do conhecimento.  Relativamente à área de EC, cuja implementação no Brasil  tem como um marco importante o início dos anos 1970, pesquisas sobre o estado da arte tem se concentrado particularmente sobre dissertações e teses. No entanto, há indicadores que apontam para um movimento de ampliação do rol de documentos escritos analisados sobre a pesquisa em EC, cuja intenção seria acrescentar outros elementos para a compreensão do estado da arte. Alguns resultados  encontrados serão considerados com a finalidade de identificar avanços e lacunas existentes para um mapeamento das pesquisas sobre o estado da arte em EC no Brasil.

As contribuições das ciências cognitivas para a Educação em Ciências
Dominique Collinvaux (UFF)

Resumo
Discutir a contribuição das ciências cognitivas para a Educação em Ciências envolve um duplo movimento. De um lado, uma (breve) retrospectiva da pesquisa em Educação em Ciências evidencia, a partir do movimento construtivista, uma linha de estudos de base cognitiva, geralmente centrados nos processos de ensino-aprendizagem em sala de aula. De outro lado, é necessário situar e caracterizar as ciências cognitivas a partir de sua origem na Psicologia, o que permite mostrar a diversidade de orientações e temas abordados. Com base neste cenário inicial, propomos uma concepção segundo a qual ‘cognitivo’ é tudo que envolve a aquisição, mobilização e uso de conhecimentos pelos indivíduos. Apresentamos alguns exemplos de pesquisa que analisam processos cognitivos em ciências/educação em ciências e discutimos os processos educativos para caracterizar qual é o lugar (e os limites) do ‘cognitivo’ na educação em ciências.

A perspectiva sociocultural na Educação em Ciências
Marcelo Giordan (USP)

Resumo
Esta exposição toma em perspectiva o programa de pesquisa derivado dos trabalhos seminais de Lev Vigotski, tendo em consideração também os aportes de outros estudiosos da Psicologia, da Lingüística e da Educação em Ciências. Serão apresentados os princípios fundamentais do programa de pesquisa de vertente sociocultural, como a natureza mediada das ações humanas, a relação mutuamente constitutiva entre pensamento e linguagem, a cognição como fenômeno social e historicamente situado, buscando dialogar com pesquisadores da Educação em Ciências com o intuito de compreender a origem, o desenvolvimento e as contribuições desse programa de pesquisa para a área. Far-se-á um recorte argumentativo sobre questões de investigação atinentes à sala de aula, em particular no que se refere à elaboração de significados e à organização das atividades de ensino. Ainda como forma de fomentar o debate na área, serão apresentados alguns trabalhos de uma linha de pesquisa sobre elaboração de significados e interações com o computador, de onde se interpreta o fenômeno da significação a partir dos conceitos de domínio, apropriação, ferramentas culturais no âmbito da teoria da ação mediada.